sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Poesia desses tempos, escrita noutros tempos.

Os ombros suportam o mundo

___________Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: 


meu Deus. 

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais:


meu amor.


Porque o amor resultou inútil.


E os olhos não choram.



E as mãos tecem apenas o rude trabalho.


E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.


Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem 


enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.


E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice,


que é a velhice?


Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de


uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios


provam apenas que a vida prossegue


e nem todos se libertaram ainda.


Alguns, achando bárbaro o espetáculo,


prefeririam (os delicados) morrer.


Chegou um tempo em que não adianta morrer.


Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.


A vida apenas, sem mistificação.


sábado, 17 de agosto de 2013

A maravilha que é o nosso cérebro.

Olhe para a foto abaixo durante 30 segundos , depois olhe para uma superfície clara e plana como a parede por exemplo e vc verá a foto abaixo revelada para você.




quarta-feira, 7 de agosto de 2013


No meu dia poesias para mim.

DE PURO AMOR

Isto de escrever versos de amor é das coisas mais dificeis que há - impossível não descambar para o lugar-comum. Te dis des mots, toujours les mêmes... confessa o próprio autor de Toi et moi. E depois, meu Deus, acontece sempre uma senhora que pergunta pra gente:
- Quem é ela?
Claro que não é ninguém. A não ser os poetas de arrabalde, não há quem faça versos para "ela". Existe a contínua disponibilidade de amor, é claro, e aparecem umas que outras "elas" que ocasionalmente se gruda nesse sentimento do poeta como em papel pega-moscas.
E acontece que o poeta faz um dia um poema. Para quem? Para ninguem e para todas.
E desconfio muito de que, no geral das vezes, sucede como naquela peça de Lope de Vega, em que um protagonista pergunta a outro:
- Por quem choras?
- Por ninguém. Eu choro de puro amor.

_____Mario Quintana - Porta Giratória






POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! [Maria] ser gauche na vida.

(...)

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade



  Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Fernando Pessoa

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